31 julho 2012

ESTUDOS SOBRE BARRAGENS DE CONTENÇÃO DE REJEITOS MINERAÇÃO E DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS EM MG

ESTUDOS SOBRE BARRAGENS DE CONTENÇÃO DE REJEITOS MINERAÇÃO E DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS EM MG E OS SEUS POTENCIAIS DE RISCO PARA O MEIO AMBIENTE

Existem no Brasil inúmeros barramentos de diversas dimensões e destinados a diferentes usos, tais como barragens de infra-estrutura para acumulação de água, geração de energia, aterros ou diques para retenção de resíduos industriais, barragens de contenção de rejeitos de mineração, entre outros.

A diversidade de tamanhos e usos das barragens e aterros de contenção reflete-se também nas condições de manutenção dessas estruturas. Algumas são impecavelmente mantidas, atendendo normas de segurança compatíveis com os padrões internacionais mais exigentes, enquanto outras ficam esquecidas, sujeitas a enchentes ou a ultrapassagem dos níveis de segurança, podendo resultar no rompimento da estrutura.

O contexto dessa dissertação será focado nas barragens de contenção de rejeitos, que são estruturas construídas para conter os materiais resultantes do beneficiamento do minério, sendo executadas em estágios, na medida em que os rejeitos são gerados, diluindo custos da construção e operação. Destaca-se neste texto que, barragens convencionais são aquelas construídas em concreto, terra e/ou enrocamento, cujas finalidades do reservatório podem ser quaisquer, exceto contenção de rejeitos.

As barragens de contenção de rejeitos são reconhecidas por gerarem um impacto ambiental significante. Neste sentido, a gestão dos rejeitos está se tornando um dos critérios pelos quais o desempenho ambiental das empresas é julgado. 

Além disso, apesar da legislação, conhecimento e tecnologia disponíveis, as barragens de contenção de rejeitos continuam rompendo e ausando prejuízos econômicos, sociais e ambientais. Uma razão comum para as falhas é que as barragens não são operadas de acordo com critérios adequados para projeto, construção e operação. Algumas falhas ocorridas em barragens de contenção de rejeitos custaram vidas e causaram danos ambientais consideráveis.

Acidentes graves resultaram em grandes volumes de rejeitos descarregados no meio ambiente. Têm-se também os reservatórios de rejeitos cada vez maiores, envolvendo muitas vezes efluentes tóxicos e outros materiais potencialmente perigosos. Além do risco de eventos catastróficos, como um rompimento inesperado, os impactos ambientais das barragens de contenção de rejeitos durante a fase de operação vêm despertando cada vez mais o interesse entre agências ambientais e comunidades locais, tornando pública a gestão dos rejeitos e aumentando a pressão para aplicação e manutenção de técnicas seguras de operação.

ESTUDOS SOBRE BARRAGENS DE CONTENÇÃO DE REJEITOS MINERAÇÃO E DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS EM MG
ESTUDOS SOBRE BARRAGENS DE CONTENÇÃO DE REJEITOS MINERAÇÃO E DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS EM MG



O Brasil carece de um cadastro das barragens com informações mínimas que possibilitem aos órgãos de defesa civil agir adequadamente na ocorrência de acidentes. No caso das barragens de contenção de rejeitos, a situação é ainda mais crítica, pois, além de um eventual rompimento causar inundação, pode ocorrer também a contaminação dos corpos de água que receberem seus conteúdos.

Em Minas Gerais, a Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) realiza um trabalho de cadastramento e classificação das barragens seguindo parâmetros da Deliberação Normativa (DN) 62 (COPAM, 2002), que foi alterada pela DN 87 (COPAM, 2005) e pela DN 113 (COPAM, 2007).

A classificação indicada nestas deliberações estabelece classes de potencial de dano ambiental, estimando as consequências em relação ao dano ambiental em caso de uma ruptura.

De acordo com esta classificação são estabelecidos prazos (um, dois ou três anos) para realização de auditorias técnicas periódicas, realizadas por consultor externo ao quadro de funcionários da empresa. 

Os relatórios destas auditorias devem levantar as condições físicas e estruturais das barragens e atestar se as mesmas apresentam condições seguras de estabilidade.

Caso não apresentem, o relatório deve conter um plano de ações com prazo para implantação de melhorias, a fim de corrigir as falhas e garantir a estabilidade das estruturas. 

A presente pesquisa aplicou dados de 124 barragens de contenção de rejeitos de mineração e de resíduos industriais do estado de Minas Gerais em um modelo de potencial de risco desenvolvido por Menescal et al (2001). 

Estas barragens foram selecionadas por critérios de disponibilidade de dados para aplicação no modelo, função do reservatório (armazenamento de resíduos industriais ou rejeitos de mineração), classificação de dano ambiental e localização geográfica. 

O modelo tem como objetivo estimar o risco potencial de ruptura e definir prioridades de intervenção, alocação de recursos de manutenção e recuperação, bem como servir de referência para ações de segurança, priorização de investimentos em reparos, melhorias, monitoramento por instrumentação, periodicidade de inspeções, modernização de equipamentos, planos de ação emergenciais, dentre outros.

As barragens de maior risco deverão ser as prioritárias para estas ações. Aplicando o modelo de potencial de risco proposto nesta pesquisa buscar-se-á atender uma demanda de informações sobre a gestão de barragens para empreendedores, órgãos fiscalizadores e entidades interessadas.

A inovação desta pesquisa é que este modelo nunca foi utilizado para avaliação de risco em barragens de contenção de rejeitos de mineração e de resíduos industriais, uma vez que o modelo original foi desenvolvido para avaliação da segurança em açudes no semi-árido nordestino. pesquisar tambem: 

1 - objetivos geral e específicos; 

2 -gestão de segurança em barragens de contenção de rejeitos, dentro de uma visão dos principais aspectos inerentes à segurança, como legislação, tipos de barragens, metodologias para avaliação da segurança, gerenciamento de riscos, responsabilidades das partes interessadas, dentre outros aspectos. Observa-se que a segurança de barragens vai além do aspecto estrutural, contemplando, também, os aspectos hidráulico-operacionais, ambientais, sociais e econômicos. Dentro da visão histórica, aspectos relativos às causas de ruptura de barragens e a evolução da legislação sobre o assunto vêm ganhando força nos últimos anos. Apresenta-se também um ligeiro histórico das ações de segurança em barragens no estado de Minas Gerais, com o foco nos relatórios de auditorias técnicas de segurança das barragens e nos trabalhos realizados pela FEAM. O modelo de potencial de risco (MENESCAL et al, 2001) O modelo considera três aspectos para classificação das barragens: Periculosidade, Vulnerabilidade e Importância Estratégica. Considerando as informações técnicas de projeto e construção (dimensão, capacidade, tipo de barragem, tipo de fundação e vazão de projeto) é determinada a Periculosidade das estruturas. Com base nos dados de inspeção de campo e estado das condições atuais da barragem (tempo de operação, existência de projeto “as built”, confiabilidade das estruturas vertedouras, tomada d’água, percolação, deformações e deterioração dos taludes) é efetuada uma avaliação preliminar da segurança que permite estimar a Vulnerabilidade das estruturas. A partir do estabelecimento de critérios técnicos, econômicos, ambientais e sociais (volume atual, população a jusante e custos de recuperação) define-se a Importância Estratégica das barragens. 

3- a Metodologia adotada para realização da pesquisa.

4- Definição do Modelo de Potencial de Risco Modificado nas barragens selecionadas do estado de Minas Gerais, sendo apresentadas as alterações e calibrações realizadas no modelo de potencial de risco original, para torná-lo aplicável realidade das barragens de contenção de rejeitos de mineração e de resíduos industriais. Os principais parâmetros modificados foram: classes de volume, inclusão de classificação para
ateamento, instrumentação e monitoramento das estruturas e alterações no embasamento conceitual sobre custos de recuperação do ambiente ajudante em caso de rompimento. Também foi realizada uma calibração na pontuação do modelo, adotando como referência algumas barragens cuja estabilidade já era conhecida, que atuaram como Grupo Controle, de modo a garantir representatividade e funcionalidade dos resultados. 

5- Aplicação do Modelo e Análise dos Resultados, destacando a influência de cada parâmetro no resultado final da classificação de potencial de risco, além de apresentar uma comparação entre o modelo de potenci
al de risco proposto e o de potencial de dano ambiental (COPAM, 2005), de forma a subsidiar os tomadores de decisão com mais informações para a gestão destas estruturas.

6 apresentações para as conclusões da pesquisa em relação à revisão de literatura e ao modelo proposto, além de recomendações para pesquisas futuras.
Fonte do Texto Baseado em trabalho de - Anderson Pires Duarte - Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da UFMG / Montagem: Frank e Sustentabilidade